Postagens

As Alegrias da Maternidade

O livro As Alegrias da Maternidade foi o primeiro livro que li de Buchi Emecheta, encantada com a leitura segui logo para Cidadã de Segunda Classe e fiquei ainda mais envolvida pela escrita e histórias contadas por Emecheta. Como já disse anteriormente o livro Cidadã de Segunda Classe ficou sendo a minha história preferida dentre estes dois romances. Com Alegrias da Maternidade aprendi um novo conceito intitulado Maternagem, um assunto que nunca tinha pensado antes, eu reconhecia o peso machista sobre a “função” da mãe, mas não tinha parado para pensar nas estratégias criadas para fugir desta opressão sexista. A maternidade restringe-se ao cuidado somente na díade mãe-filho(a), a maternagem diferentemente inclui e potencializa a rede criada em diversas relações, outras pessoas também estão responsabilizadas pelo cuidado do bebê, por exemplo, o pai está inserido, as avós e avôs, a vizinha, os amigos, ou seja, a maternidade refere-se a consanguinidade, já a maternagem ao vincul...

Amali e sua história

Amali é o terceiro livro que leio do escritor Marcos Cajé, assim como os outros dois essa história é encantadora, não esperava outra coisa, já estou acostumada com as histórias belíssimas escritas por Cajé, a surpresa é que esse tem um toque a mais, foi escrito junto com a escritora Bárbara Santana Nogueira. Amali é muito linda, pela capa já percebemos e ficamos bestas com tanta beleza, eu em especifico não me encanto apenas pela beleza física, mas pelo conjunto, e na história Amali se apresenta tão lindamente, esperta, questionadora e inteligente que fica muito fácil ver uma total beleza nessa pequena. O que temos de diferente das outras histórias é que ele não se passa em África, no país Nigéria, ele se passa aqui mesmo no Brasil, na cidade de Cachoeira. Isso porque os escritores têm o objetivo de levantar a bandeira da lei 10.639/03, aquela lei que já falei na resenha do livro de Ana Célia da Silva (Retrospectiva de uma trajetória de ações afirmativas precursoras à lei nº ...

Gabyanna Negra & Gorda

Estou apaixonada pelo livro Gabyanna desde o dia que a escritora Gabriela Rocha disse que me enviaria, quando chegou foi amor à primeira vista, a capa é de uma lindeza que só, ao abrir nos deparamos com uma citação de Viola Davis é pra matar a gente não ?! rsrs depois nos é apresentado uma história fantástica, posso dizer que literalmente temos o humor negro. Atualmente quem tá lendo o livro é mainha, não titubeei em dar o livro pra ela ler, tenho me divertido horrores com os comentários dela, são risadas atrás de risadas, mainha vai até mim e diz alguma coisa do livro como se eu não tivesse lido e eu preciso fazer minha cara de surpresa rsrs essa semana ela falou “Essa Gabyanna é safadinha, mas assim ela é bem estudada e tá lá fora”, nessa hora fiquei pensando que se Gabyanna não fosse bem estudada, ou não tivesse lá fora a liberdade sexual que ela tem não seria aceita??? Parece que as cosias para nós mulheres negras vem sempre com determinadas condições, se você aceitar iss...

Retrospectiva de uma trajetória de ações afirmativas precursoras à lei nº 10.639/03

Antes de tudo quero deixar registrado que esse livro é necessário para todos os profissionais da área da educação e pros profissionais da saúde que atuam na educação. Todos deveriam ter acesso ao conteúdo que compõe esse livro. O livro é separado em 3 grandes capítulos, o segundo capitulo intitulado - Os Escritos Acadêmicos, é o maior de todos, confesso que foi nesse capitulo que parei um pouco e demorei bastante de ler, pra mim ficou um pouco cansativo porque muitos artigos tinham o mesmo objetivo, os mesmos dados e acabou ficando repetitivo, as vezes lia algo e pensava “será que tô lendo novamente esse trecho ou já li antes?” quando voltava as folhas perceberia que tinha a mesma mensagem em trechos anteriores.  Porém isso não diminui em nada a grandiosidade dessa obra, e como o objetivo central do livro é reunir todos os trabalhos da professora Ana Célia acabaria tendo escritos repetido mesmo. O primeiro capitulo intitulado – Meus Artigos Militantes, é uma parte muito l...

Sankofia - Breves histórias sobre afrofuturismo

Sankofia foi o primeiro livro que li sabendo que era sobre afrofuturismo, porém não foi o primeiro livro afrofuturista que li. Esse termo pra mim não era desconhecido, mas sabia bem pouco sobre, acompanho pelas redes sociais o escritor Fábio Kabral que atua nessa vertente, me sentia instigada a conhecer mais sobre esse mundo, poder de alguma forma também fazer parte, no entanto o tempo que não sabemos administrar nos envolve e não conseguimos dar conta de tudo que queremos, até que esse livro Sankofia chegou em minhas mãos. Luciene Ernesto ou Lu Ain-Zaila escreveu um dos melhores livros que eu já li, com toda certeza está na minha lista de livros preferidos. A minha relação com o livro não é somente com a história contada, mas envolve a capa, a introdução, os desenhos, tudo que compõe o livro, e com esse livro foi assim, desde antes das histórias já estava muito envolvida com o livro em si. Acredito que a escritora tendo noção de que este termo afrofuturismo não é de conhec...

Igbo e as princesas

Igbo e as princesas foi o segundo livro que li do escritor Marcos Cajé, o diferencial das obras infantis de Cajé é que este nos leva para o continente Africano em especifico a Nigéria, algo que acho fantástico. Logo no início da história ele teve a preocupação de localizar geograficamente a aldeia que seria retratada, isso é muito bom, pois ajuda na construção da identidade negra para as crianças, compreender que África é um continente composto por várias nações. A aldeia era chefiada por um rei, rei Jaha, porém a rainha durante todo o livro apresenta um papel muito importante, ela não está na relação de conselheiros nem de ministros, mas as opiniões dela são sempre acatadas pelo seu esposo, sabemos que se tratando de uma aldeia no período antigo uma mulher não poderia chefiar, também não desempenhavam papéis na organização da aldeia, mas neste livro Cajé traz um destaque para a rainha. O rei em um determinado momento precisa partir para a floresta e durante seu percurso pass...

Insubmissas lágrimas de mulheres

Insubmissas lágrimas de mulheres foi o quarto livro que li de Conceição Evaristo, como sempre terminei muito rápido, li em dois dias, não sei o que acontece, Conceição escreve de um jeito que prende completamente, não importa mais nada da vida, apenas terminar a leitura do livro, e quando acaba tem aquela sensação e tristeza e de quero mais, então nos deixa loucos para querer conseguir ler o próximo livro. Mais uma vez Conceição trouxe a tona toda a questão e subjetividade do nome, eu sempre lembro de Lélia Gonzalez nesse quesito quando ela disse “negro tem que ter nome e sobrenome, senão os brancos arranjam um apelido qualquer ... ao gosto deles”, esse significado do nome esteve muito forte no livro Ponciá Vivêncio, mas dessa vez Conceição foi além, escreveu de forma muito enegrecida e explicita as escrevivências que cada nome carrega, aquilo que se mostra para todos e também o que se mostra apenas para pessoas intimas, ela nos mostrou todos esses detalhes. Algo que achei en...