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Irmã Outsider

Foi uma imensa alegria ler esse livro de Lorde, já conhecia sua história, tinha gravado muitas das suas célebres frases, conhecia sua imagem, mas pegar um livro com a sua própria imagem na capa, entender o motivo das frases ditas e o seu contexto, ouvir da Lorde a sua história, muda tudo, fica ainda melhor, dá uma injeção de ânimo, de resistência, de esperança. Cada capitulo é único, você pode ler até fora da ordem que não vai ter grande problema de entendimento, eu li na ordem e gostei da sequência do livro, mas você fique à vontade. Os capítulos que mais me chamaram a atenção foram – Os usos da raiva: as mulheres reagem ao racismo e Olho no olho: mulheres negras, ódio e raiva. Neles Lorde destrincha como nós mulheres negras estamos submersas na raiva e ódio desde crianças, como os racistas nos colocam no lugar do não humano, jamais vou esquecer a cena que ela descreve de quando era criança, foi sentar perto de uma mulher no metrô e essa mulher puxou o casaco de forma brusca...

Uma Leitora Negra: Uma Experiência Literária De Disputa Epistemológica No Ambiente Virtual

Apresentei esse trabalho ano passado (2019) no  VII  Congresso Baiano De Pesquisadorxs Negrxs – VII CBPN que ocorreu na UFBA.  UMA LEITORA NEGRA: UMA EXPERIÊNCIA LITERÁRIA DE DISPUTA EPISTEMOLÓGICA NO AMBIENTE VIRTUAL Lais Alves Porto (Instituto Guanabara) Resumo: A literatura negra sempre esteve a margem da literatura canônica, contudo jamais aceitou tal situação, ainda hoje mostra-se insubmissa, reivindicando o seu papel para a construção e valorização de uma identidade cultural do povo negro. Os Blogs sempre foram utilizados por escritores que não estão no centro do mercado editorial para a divulgação de suas obras. Outro modo da produção literária estar presente no ambiente virtual é por meio dos Digital Influencers e Blogueiros. O objetivo desse trabalho é descrever teoricamente a percepção da experiência de uma mulher negra que utiliza as redes e mídias sociais por meio da página intitulada - Uma Leitora Negra, para falar sobre literatura negra. Este e...

Negritude Usos e sentidos

Negritude foi o primeiro livro que li de Kabengele Munanga, porém já tinha tido a oportunidade de ler os seus escritos em artigos e resenhas feitas pelo próprio. Munanga é um teórico que tenho a maior reverência, assim como Abdias Nascimento, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento. São teóricos negros brasileiros que infelizmente estão no esquecimento, mas graças ao trabalho de pessoas como Nilma Lino Gomes estão sendo resgatados e apresentados a nova geração de brasileiros.    Inicialmente Munanga demonstra como o povo negro é diverso, aqui já reduz a nada o mito de que somos todos iguais e de que todo preto se parece. Pessoas negras que estão em religiões de matriz africana tem uma vivência de negritude diferente dos negros em religiões ocidentais europeias, mesmo que ambos tenham noção de que são negros e tenham orgulho disso. Então, ele classifica 3 fatores: o fator histórico, o fator linguístico, o fator psicológico. Foi nesses fatores que a branquitude intensifico...

Terrabórnia - A libertação

Eu agradeço muito por tudo que esse projeto vem me proporcionando, são experiências incríveis de leitura, dessa vez tive o prazer de ler Terrabórnia, um livro juvenil, com personagens encantadores e outros que peguei um ranço kkkkk mas que compartilha com a leitora ou leitor um tema de muita importância. O personagem principal, Aleph, passa por um momento delicado, está no final do ensino médio, todo jovem já passou por isso, aquele momento que todos cobram qual faculdade vai fazer, o curso que vai escolher, a profissão para seu futuro, existe toda essa cobrança e nem sempre existe junto um apoio para a decisão que será tomada. Outra questão também é que Aleph é gay, porém ainda não conseguiu descobrir, ter clareza sobre como é este amor, isso acontece principalmente por ter um irmão que é considerado o garanhão, tem uma namorada e é super descolado em todos os meios sociais e na família. No meio disso tudo, Aleph tem a sorte de ter amigos incríveis, tanto no mundo dos hu...

Brincando de antigamente

O livro brincando de antigamente foi uma surpresa maravilhosa, até então a melhor surpresa de 2020, ele foi recomendado pela psicóloga Emília, ela fez uma publicação falando sobre a obra e me marcou por saber do trabalho que faço divulgando a literatura negra, eu e Emília fizemos em 2019 um curso sobre saúde da população negra. Assim a escritora Fabíola Cunha me presenteou com o livro e dois brinquedos. Começo dizendo que o livro é fofo demais, extremamente fofo, a história e ilustrações são muito lindas, além disso os brinquedos feitos a mão são super bonitos e bastante nostálgicos por lembrar de uma infância de muita felicidade. Em tempos que as crianças e adolescentes estão se arriscando com brincadeiras de rasteira, livros que compartilham brincadeiras saudáveis são extremamente necessários. Além de apresentar outras brincadeiras para as crianças a história faz uma crítica ao modo como as crianças estão brincando nos dias de hoje, todas muito tecnológicas esquecendo do ...

Makeba vai à escola

Makeba é o segundo livro infantil da escritora Ana Fátima que leio, o primeiro foi As tranças de minha mãe que inclusive já tem a resenha aqui no blog. Eu não li sozinha o livro Makeba vai à escola, levei pros meus atendimentos e também emprestei, quando o livro é maravilhoso fazemos questão de que todo mundo possa ler. Posso dizer por meus pacientes que Makeba fez o maior sucesso, primeiro por causa do nome, eles logo me perguntavam de onde vinha esse nome estranho pra eles, eu que não sou besta jogava na internet e juntos descobrimos que foi o nome de uma cantora sul-africana, mas também dizia “Quando encontrar a escritora pergunto sobre a escolha do nome e digo pra vocês”, tive a oportunidade de encontrar a escritora e logo perguntei sobre o nome, ela respondeu que era também por conta dessa escritora e para valorizar nomes de origem africanas. Passada a curiosidade do nome podíamos ler a história, mas logo vinha outra surpresa, era o pai que penteava o cabelo da filha...

O bicho que chegou a feira

Recentemente terminei a leitura do livro O bicho que chegou a feira ou melhor dizendo da História em Quadrinho O bicho que chegou a feira, foi a primeira vez que li um livro nesse formato, até então estava acostumada com os livros no seu padrão ou com os gibis, e os gibis diga-se de passagem os da Turma da Mônica, Luluzinha, Sesinho, não me julguem essas são leituras de uma criança que infelizmente não teve acesso a literatura negra nessa fase da vida. Além dessa nova experiência de leitura pude conhecer dois escritores negros de uma vez só, Marcelo Lima que fez a adaptação em HQ e Muniz Sodré autor do livro O bicho que chegou a feira. Marcelo entra para o grupo de escritores negros da Bahia que tive a oportunidade de conhecer a obra, chega trazendo um formato literário não muito usual dentro da literatura negra, chega com essa novidade expandindo ainda mais a produção negra baiana. A adaptação é de um primor maravilhoso, foi uma leitura bastante fluida, isso devido os te...